segunda-feira, 23 de junho de 2014

Como uma célula normal torna-se cancerígena

Toda a informação genética está inscrita nos genes das células, numa "memória química" conhecida como DNA. É por meio dele que os cromossomos passam as informações para o funcionamento da célula.

Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA. Tais mudanças são as conhecidas mutações genéticas. Células, cujo material genético foi alterado, passam a receber instruções

erradas para suas atividades, o que pode levar à malignização (cancerização). Essas células diferentes são denominadas cancerosas.

Como se comportam as células cancerosas?

As células cancerosas, diferentemente das normais, multiplicam-se de maneira descontrolada, formando tumores malignos que comprometem os órgãos afetados. Em alguns casos, células malignas se desprendem do tumor e migram para outros tecidos. Esse processo é conhecido por metástase.

A invasão de células cancerosas em outros tecidos leva à alteração no funcionamento dos órgãos. A invasão nos pulmões, por exemplo, gera alterações respiratórias; a invasão do cérebro pode gerar dores de cabeça, convulsões, alterações da consciência, entre outras formas de manifestações em diferentes órgãos.

Como é o processo de carcinogênese?

Em geral, o processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, ocorre lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios. São eles:

Estágio de iniciação
É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele, as células sofrem o efeito dos agentes cancerígenos ou carcinógenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase, as células se encontram geneticamente alteradas, porém, clinicamente, ainda não é possível se detectar um tumor.

Estágio de promoção
Nessa etapa, as células geneticamente alteradas, ou seja, "iniciadas", sofrem o efeito dos agentes cancerígenos, classificados como oncopromotores. A célula "iniciada" é transformada em célula maligna de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuo contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio.

Estágio de progressão


Mutação genica
As mutações surgem a partir de alterações na sequência de bases nitrogenadas de um determinado gene durante o processo de cópia do DNA. Nesse processo a mutação ocorrerá por falha do mecanismo de correção, onde, do processo de cópia da fita ocorrerá alguma adição, substituição ou perda de um ou mais nucleotídeos que pode dar origem a uma nova sequência codificante de outro tipo de proteína que iniciam ações metabólicas específicas diferentes da ação da estrutura original. A nova fita com a mutação é tão estável e semelhante quanto a fita original. São as fontes importantes de variabilidade, pois aumentam o número de alelos disponíveis em um locus e aumentam o conjunto gênico da população.

Assim como um loco individual, os cromossomos também estão sujeitos a grandes alterações, nas quais todo o cromossomo ou parte dele pode ser perdido ou multiplicado e, arranjos especiais de segmentos cromossômicos podem ser reorganizados.

Mutações cromossômicas ou aberrações são rearranjos estruturais dos cromossomos. Sua produção é precedida por quebras nos braços cromossômicos e é completada pelas peças em novas combinações. Os tipos básicos de aberrações são geralmente, deficiências, duplicações, inversões e translocações.

Essas mutações podem ocorrer tanto de forma espontânea quanto por influência de agentes mutagênicos que causam lesões na molécula de DNA, que pode ser devido a exposição prolongada a raios-x e radiação UV, contato com agentes químicos nocivos como gás mostarda e LSD. Estas substâncias podem dar margem para o desenvolvimento de um câncer em células somáticas e quando atingem células germinativas, as mutações podem afetar a geração seguinte, comprometendo seu desenvolvimento ou sobrevivência.

Esse tipo de mutações ocorrem, mas não com muita frequência devido a eficiência do mecanismo de reparo do DNA que raramente deixa de consertar algum erro na nova sequência. Mas no caso da exposição aos elementos nocivos toda a molécula é lesionada, podendo ser degradada e o mecanismo não dará conta de reparar todo o estrago causado.

As mutações ocorrem ao acaso e não é possível prever o gene que será mutado, nem relacionar a mutação com a adaptação às condições ambientais. Outro ponto a ser observado é que as mutações podem ocorrer tanto em células somáticas quanto em células germinativas sendo, neste último caso, de fundamental importância pois são transmitidas aos descendentes. Aleatoriedade Por muito tempo foi considerado que as mutações fossem somente erros cegos resultados de falhas no sistema. Hoje se tem o conhecimento da existência de mutações dirigidas onde se observa a construção de mecanismos que alteram o DNA, ligando ou desligando genes ou modificando proteínas existentes, em resposta a sinais que as células recebem de outras células no ambiente. Por exemplo, uma nova variação produzida por uma baixa brusca na temperatura ou falta de alimento, seria semi-dirigida no sentido de que é uma resposta a sinais ambientais mas que não leva a uma resposta única e necessariamente adaptativa. Estresses podem afetar a operação de sistemas enzimáticos e responsáveis por manter o DNA e partes destes sistemas parecem as vezes estar acoplados a elementos reguladores que controlam como, onde e em que proporção o DNA será alterado.

É o terceiro e último estágio que se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nessa fase, o câncer está deflagrado e evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença.

Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo, por exemplo, é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.


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